Política

Direita polarizada pode definir eleições em 2018

Tivemos no Brasil raros momentos de polarização política, um deles aconteceu em 2014. Com PSDB e PT boa parte da população ficou dividida diante dos rumos que o país poderia tomar na época. Venceu a petista com 51,64% dos votos válidos contra 48,36% de Aécio Neves.

Passados quase quatro anos daquele pleito que literalmente dicotomizou nossa nação iremos adentrar outro período eleitoral. Como pano de fundo a tudo isso temos a operação Lava Jato que prender figurões da política e do meio empresarial acusados de corrupção, o modus operandi do conchavos por entre meio da politicagem.

Diante da falta de credibilidade da população com políticos e por sorte o surgimento de um movimento de direita no Brasil – até então relegado a pequenos grupos – podemos ter pela primeira vez uma polarização ideológica nas próximas eleições.

Essa polarização vem na esteira do fracasso retumbante da esquerda no poder, que durante 13 anos administrou o país como um sindicato e no crescimento de políticos considerados folclóricos.

A direita brasileira: (em sentido horário) Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, João Amoedo e Fábio Ostermann (Reprodução/RossiMedia)
A direita brasileira: (em sentido horário) Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, João Amoedo e Fábio Ostermann (Reprodução/RossiMedia)

Exemplo do acirramento da polarização foi a proibição da exibição do documentários Jardim das Aflições sobre o filósofo Olavo de Carvalho que iria ocorrer na UFBA. Também o boicote ao Queermuseu, mesmo que correto suscitou um discurso virulento por parte de militantes da esquerda.

Mas esta polarização não é somente simbolizada por apenas dois lados: existem diversas divisões internas na direita brasileira que foi redescoberta após o impeachment de Dilma Rousseff.

Como grupos principais temos conservadores e liberais que apesar de similaridades em alguns pontos acabam divergentes em vários outros.

Divisões da direita

Se existe alguma polarização dual esta se dará mais rumo a direita do que à esquerda. Cansado do discurso de defesa de classes, o eleitor não aceita mais a prerrogativa de exploração pelo empresariado.

Sabe-se que todos sofremos interferência do Estado em nossas vidas e este grau de interferência aumentou depois dos governos de Fernando Henrique e Lula. Dessa forma a disputa principal não será dentro do especto político direita e esquerda, mas sim dentro da própria direita e suas divisões.

Partidos e movimento que podem mudar as eleições (Reprodução/RossiMedia)
Partidos e movimento que podem mudar as eleições (Reprodução/RossiMedia)

Hoje podemos mencionar que existem grupos conservadores que apoiam o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ) em sua pretensa candidatura a presidente.

Estes grupos por sua vez são divididos em nacionalistas e intervencionistas, sendo o último uma versão brasileiras dos nacionalistas norte-americanos. De todo modo rotular que Bolsonaro teria uma agenda reacionária – no conceito pejorativo da palavra – se torna leviano.

Nós brasileiros não temos viés reacionário devido a nossa origem cultural miscigenada, não nos importando sobre as características do outrem.

Talvez Bolsonaro tenha uma vertente conservadora ao não sobrepujar o indivíduo comum as agendas da diversidade, ou quem sabe devido ao seu leve nacionalismo.

No entanto não é algo em demasia, ficando mais retido aos seus comentários diretos e sem rodeios.

Em outra vertente temos um grupo liberal próximo das massas, “liberal-popular” digamos. Este lado é orientado por movimentos populares surgidos após 2013 no anseio de sobrepor o poderio da esquerda capitaneados por PT e PCdoB. Tem por expoente máximo o Movimento Brasil Livre, que defende o livre mercado, mas não se intromete em questões sociais. Deixa o critério de valores da sociedade para ser tratado dentro dela própria.

Mesmo assim o MBL foi contrário a exposição Queermuseu, que continha imagens de pedofilia e zoofilia, realizando uma grande frente na internet e redes sociais para boicotar a mostra. A repercussão demonstra que o brasileiro “médio” tende a uma linha conservadora em geral, mas liberal na economia, ou seja, exatamente próxima da pauta do MBL e de Bolsonaro.

Noutro ponto vemos dois grupos liberais com posturas mais extremas. Representados pelos partidos Novo e PSL eles tendem a apoiar pautas da esquerda libertária pelo fato de assumirem o caráter liberal europeu. No entanto não advogam contra os conservadores exceto quando entram na rota de postulantes a presidência da República.

Nesta questão Novo e PSL tendem a apoiar o empresário João Amoedo para o cargo máximo do país.

Mesmo em suas diferenças todos os grupos são contrários a partidos de esquerda e centro-esquerda como PT, PCdoB, PSOL, PSTU, PCO, Rede e PDT. Inclusive estiveram unidos nas manifestações de 2016, no final do governo Dilma. Pode-se incluir neste rol de similaridades a proximidade com institutos e think tanks como Liberal do Rio, Mises Brasil e Millenium.

Eleições 2018

Podemos dizer que dos grupos mencionados todos já tem suas preferências políticas. No entanto podem se unificar em torno de um único nome caso a disputa seja contra a esquerda e suas diversas faces.

Apesar das ressalvas que alguns liberais e certos conservadores têm, Jair Bolsonaro pode se tornar o candidato da direita num eventual segundo turno contra a esquerda. Caso somente a esquerda advenha a chegar ao segundo turno ocorrerá uma migração do eleitorado para o voto útil, repetindo o feito de 2014.

Essa migração não se dará com nomes próximos a esquerda, mas sim distantes desta e também da direita. O eleitor pode neste caso rumar para o centro político e escolher o meio termo.

Comentários

comentários